In this conversation, Emilia Caro, Board Chair of Women in Global Health, reflects on how climate crises strain health systems, why women bear a disproportionate burden, and how centering gender and health is key to meaningful progress at COP30.
English
1. Why is it important to center health in climate discussions?
We need to stop working in silos, right? This applies to the health sector in general, because today it is intertwined with many other issues. Every climate crisis collapses health systems and teams when it’s not planned for, when it’s not taken into account.
I welcome the fact that this is the first COP where health has a significant space — the first where these issues are being discussed and where there’s a dedicated day for it. I think Brazil showed great leadership in that. For me, the importance of centering health and climate lies in moving from reaction to anticipation — understanding that positive health outcomes cannot be built without environmental justice. We need to think about the environment because it directly affects us as human beings.
2. In what ways does the climate crisis concretely affect health systems?
When there are disproportionate rainfalls at certain temperatures in temperate zones, such as across much of the Southern Cone, dengue outbreaks appear in areas where they didn’t exist before. This not only overwhelms health centers and the broader health system but also undermines the overall sustainability of the system.
3. Is there a differentiated impact of the climate crisis on women’s health?
There’s an intersectionality here that must be mentioned — how all of this primarily affects women. Not only because, in many places, women form a more vulnerable community, but also because they are the ones who sustain health systems. In every country where this has been studied, it’s observed that during periods of extreme heat, beyond the direct health impacts, there are also spikes, for example, in gender-based violence.
4. What initiatives by Latin American governments have been key to centering health in climate debates?
The government of Buenos Aires has recently collected a great deal of data and reviewed studies on climate variability and its impact on health — for example, regarding heat zones, mortality, and even the burden on urban services. In Argentina, there’s a climate vulnerability map that overlaps with the public health system. Today we have data showing which regions and areas are most vulnerable to climate crises, although action is still lacking.
5. What would you consider a successful outcome for COP 30 negotiations?
I think it would be interesting to establish, for example, an indicator showing the percentage of countries that include gender-disaggregated health indicators linked to climate in their national frameworks.
That would signal that the conference reached a commitment for countries to adopt a minimum reporting framework that includes health, gender, and climate — or at least health and climate.
The issue is that if we focus only on health and climate without disaggregated data, we’ll never truly see the impact or how different the realities are by gender — even though, when measured, those differences are clear.
Espanõl
1. ¿Cuál es la importancia de centralizar el tema de la salud en las discusiones sobre el clima?
A ver, tenemos que dejar de trabajar en silos, ¿no? Esto aplica al ámbito de la salud en general, porque hoy está atravesado por muchos temas. Toda crisis climática colapsa los sistemas y los equipos de salud cuando no está planificada, cuando no se la tiene en cuenta.
Yo celebro que esta sea la primera COP donde la salud tiene un espacio relevante. Es la primera en la que se discuten estos temas y hay un día específico para tratarlos. Y ahí creo que hubo un gran liderazgo de Brasil. Para mí, la importancia de centralizar el clima y la salud es dejar de reaccionar y empezar a anticipar; es entender que la salud tampoco se construye sin justicia ambiental. Necesitamos pensar en el medio ambiente porque nos repercute directamente como seres humanos.
2. ¿De qué manera la crisis climática afecta a los sistemas de salud, concretamente?
Cuando tenés lluvias desproporcionadas a ciertas temperaturas en zonas templadas, como en todo el centro del Cono Sur, lo que sucede es que aparecen brotes de dengue en zonas donde antes no había. Esto colapsa no solo los centros de atención y el sistema de salud por los brotes, sino también la sustentabilidad del sistema en general.
3. ¿Hay algún impacto diferenciado de la crisis climática sobre la salud de las mujeres?
Acá hay una interseccionalidad que no puedo dejar de mencionar, y es cómo todo esto afecta principalmente a las mujeres. No solo porque en muchos lugares constituyen una comunidad más vulnerable, sino porque son quienes sostienen los sistemas de salud. En todos los países donde se midió, se observa que en días de calor extremo no solo se afecta la salud de las personas, sino que también hay picos, por ejemplo, de violencia de género.
4. ¿Qué iniciativas de los gobiernos de América Latina han sido fundamentales para centralizar la discusión sobre salud en los debates acerca del clima?
El Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires ha relevado mucha información recientemente y revisó investigaciones sobre la variabilidad climática y su impacto en la salud, por ejemplo, en las zonas de calor, la mortalidad e incluso la carga de los servicios urbanos. En Argentina, existe un mapa de vulnerabilidad climática que está superpuesto con el sistema de salud pública. Hoy contamos con información sobre cuáles son las regiones y zonas más vulnerables a padecer crisis climáticas, aunque aún falta accionar sobre ella.
5. ¿Qué sería para vos un éxito de las negociaciones en la COP 30?
A mí me parecería interesante, por ejemplo, que se estableciera como indicador el porcentaje de países que incorporen indicadores de salud desagregados por género y vinculados al clima en sus marcos nacionales.
Eso indicaría que la conferencia alcanza un compromiso para que los países adopten un marco mínimo de reporte que incluya salud, género y clima —o, al menos, que empiece por salud y clima.
El tema es que si te quedás solo en salud y clima y no tenés los datos desagregados, nunca vas a ver cómo impacta realmente ni cuán diferente es la realidad según el género, aunque cuando se mide, se ve que esa diferencia existe.
Portuguese
1. Qual é a importância de centralizar o tema da saúde nas discussões sobre o clima?
Precisamos parar de trabalhar em silos, não é? Isso vale para o campo da saúde em geral, porque hoje ele é atravessado por muitos temas. Toda crise climática colapsa os sistemas e as equipes de saúde quando não há planejamento, quando o tema não é considerado.
Eu celebro que esta seja a primeira COP em que a saúde tem um espaço relevante. É a primeira em que o tema é discutido e há um dia específico para tratá-lo. Acredito que houve uma grande liderança do Brasil nisso. Para mim, a importância de centralizar clima e saúde é deixar de reagir e começar a antecipar; é entender que a saúde também não se constrói sem justiça ambiental. Precisamos pensar no meio ambiente porque ele nos afeta diretamente como seres humanos.
2. De que maneira a crise climática afeta os sistemas de saúde, concretamente?
Quando há chuvas desproporcionais a certas temperaturas em zonas temperadas, como em grande parte do Cone Sul, o que ocorre é o surgimento de surtos de dengue em áreas onde antes não havia. Isso colapsa não apenas os centros de atendimento e o sistema de saúde, mas também a sustentabilidade do sistema como um todo.
3. Há algum impacto diferenciado da crise climática sobre a saúde das mulheres?
Existe aqui uma interseccionalidade que não posso deixar de mencionar, e é como tudo isso afeta principalmente as mulheres. Não apenas porque, em muitos lugares, elas formam uma comunidade mais vulnerável, mas também porque são elas que sustentam os sistemas de saúde. Em todos os países onde isso foi medido, observou-se que, em dias de calor extremo, além dos impactos diretos sobre a saúde, também há picos, por exemplo, de violência de gênero.
4. Quais iniciativas dos governos da América Latina foram fundamentais para centralizar a discussão sobre saúde nos debates climáticos?
O governo da cidade de Buenos Aires levantou recentemente muitas informações e revisou pesquisas sobre a variabilidade climática e seu impacto na saúde — por exemplo, nas zonas de calor, na mortalidade e até na carga dos serviços urbanos. Na Argentina, existe um mapa de vulnerabilidade climática sobreposto ao sistema público de saúde. Hoje já sabemos quais são as regiões e áreas mais vulneráveis às crises climáticas, mas ainda falta agir sobre essas informações.
5. O que seria, para você, um sucesso nas negociações da COP 30?
Eu acharia interessante, por exemplo, que se estabelecesse como indicador o percentual de países que incluam indicadores de saúde desagregados por gênero e vinculados ao clima em seus marcos nacionais.
Isso mostraria que a conferência chegou a um compromisso para que os países adotem um marco mínimo de reporte que inclua saúde, gênero e clima — ou, pelo menos, saúde e clima.
A questão é que, se ficarmos apenas em saúde e clima, sem dados desagregados, nunca veremos o verdadeiro impacto nem quão diferente é a realidade de acordo com o gênero — e, quando se mede, vê-se que essa diferença existe.
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